26 de jan de 2012

Casas em processo de Tombamento vão ao chão

VANESSA CORREA DE SÃO PAULO
 
Apesar de protegido por processo de tombamento, um conjunto de quatro sobrados dos anos 1940 veio ao chão na quinta passada em Perdizes, zona oeste paulistana.

As casas faziam parte de um estudo do Conpresp (órgão do patrimônio histórico municipal), aberto em setembro. No processo, 63 imóveis do bairro seriam avaliados e poderiam ser tombados.


Os sobrados demolidos na rua Monte Alegre com a Turiassu estavam no processo "por se tratar de um tipo de ocupação que predominou no período entre 1940 e 1950, antes da verticalização da região", segundo o Conpresp.
O dono, Carlos Manoel dos Santos Eloy Rodrigues Pereira, 58, afirma que não havia sido comunicado sobre a abertura de tombamento e que tinha o alvará de demolição. "Então, eu quero que vão para o raio que os parta".
Ele diz que o conjunto foi construído pelo seu avô para obter renda com o aluguel, "como fazia todo português". Afirma que vai construir um prédio, também para locação.
O Conpresp diz que, como não havia autorizado a demolição, ela é irregular, e, "constatados os danos", o proprietário pode ser multado.
A multa pode chegar a até dez vezes o valor do imóvel. O Conpresp pode ainda pedir o embargo de obras no local.
O poder do órgão, porém, é limitado. Muitos proprietários recorrem, alegando não ter sido informados sobre o tombamento ou questionando os valores das multas.
Grande parte delas não são pagas -os multados ameaçam ir à Justiça devido à fragilidade das autuações.

Os conselheiros do Conpresp, que devem votar pela aplicação, temem responsabilidade judicial, segundo apurou a Folha.
O orçamento para 2011 vindo do fundo de multas é de R$ 800 mil. Mas o valor de autuações é bem maior: só o dono de um imóvel, no Brás, foi multado em mais de R$ 20 milhões.
O processo de aplicação foi revisado e será enviado "em breve" à Câmara, diz o órgão.
Destruição do patrimônio é ainda crime com pena de até três anos de reclusão, segundo a Lei de Crimes Ambientais.
Outro caso, bastante conhecido, foi o da mansão Mataraz-zo, na av. Paulista, tombada em 1989. Tempos depois, bombas explodiram no subsolo e suas estruturas foram comprometidas por vazamentos.
Os donos conseguiram, então, reverter na Justiça o tombamento e demoliram o imóvel.

Dúvidas sobre tombamento
1 - Imóveis tombados podem ser modificados?
Sim, mas só com autorização do órgão de patrimônio competente, como o Conpresp. Mudanças não autorizadas estão sujeitas a punição
2 - Qual é a punição para quem demole um imóvel tombado ou em processo de tombamento?
Embargo de qualquer obra no terreno e multa, que pode chegar a dez vezes o valor do imóvel. A destruição de patrimônio histórico também é crime, com pena de até três anos de reclusão


Análise

Desrespeito é duplo, porque inclui a lei e também a vontade dos moradores
NADIA SOMEKH ESPECIAL PARA A FOLHA

Nos anos 70, com o boom imobiliário advindo do BNH, que financiava as duas pontas da indústria da construção civil (a produção e a venda dos apartamentos), assistimos como corolário a destruição maciça do nosso patrimônio histórico edificado.
A criação do DPH (Departamento de Patrimônio Histórico), na mesma época, e do Conpresp, em 1985, possibilitou uma reação positiva ao furor de demolição.
A criação das Z8-200, modalidade do zoneamento/tombamento, em 1975, permitiu um começo de proteção à nossa memória, mas carecemos ainda de política efetiva de preservação dos bens culturais, não só com instrumentos mais eficazes e incentivadores, prevendo penalidades adequadas, mas também com uma conscientização mais ampla da sociedade e dos empreendedores imobiliários.
Não podemos congelar a cidade, e valorizar o contemporâneo significa modernizar, dar lugar ao belo, que inclui, essencialmente, nossa memória.
É com tristeza que assistimos a destruição de um conjunto de casas da década de 1940, em processo de tombamento a pedido da própria população de Perdizes.
Isso significa um duplo desrespeito: com o conselho e com a lei, que prevê punição de crime, e com a população, que tenta defender sua história.
Ficamos mais pobres culturalmente quando perdemos nossa história. Essa frase vem se repetindo recorrentemente nas cidades e, principalmente, em São Paulo. "Da força da grana que ergue e destrói coisas belas", como canta Caetano em "Sampa".

NADIA SOMEKH é professora da FAU Mackenzie e conselheira do Conpresp

Reportagem original da Folha de São Paulo:
https://acesso.uol.com.br/login.html?dest=CONTENT&url=http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/14615-casas-em-processo-de-tombamento-vao-ao-chao.shtml&COD_PRODUTO=7

19 de jan de 2012

Região da Nova Luz

Durante o ano passado, fiz alguns trabalhos para a faculdade de Arquitetura e Urbanismo. Um deles foi o levantamento da região da Nova Luz, que já está em andamento, sofrendo algumas modificações, restaurações, demolições e requalificações.

As fotos do levantamento compreenderam apenas um quarteirão, entre as ruas do Triunfo, dos Gusmões, dos Andradas e Gal. Osório, mas tivemos que verificar toda a região, desde edificações e ruas até o tipo de uso das moradias, frequentadores da região e o transporte público local.

Além de alguns prédios restaurados, tem aqueles que estão bem degradados porém não podem ser demolidos e os que serão destruídos dando lugar para novos.
O resultado está nessas fotos :)

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12 de jan de 2012

Arquitetura para visitar...

Listei logo abaixo alguns locais que são possíveis visitar e saber um pouco mais sobre arquitetura e alguns eventos sobre arquitetura que vão acontecer. Lembrando que todos esses eventos e locais são gratuitos! :)

Roteiro arquitetônico de bicicleta
Em parceria com o Instituto Parada Vital, o MCB realiza, no aniversário da cidade, a 2ª edição dos roteiros de bicicleta por residências de interesse arquitetônico em São Paulo, sob orientação do arquiteto Marcelo Ferraz. Fique atento à programação para maiores informações sobre o percurso e o arquiteto que orientará o passeio.
20 vagas, com bicicletas disponíveis no local de saída. Inscrições: (11) 3032 2499
MCB - Museu da Casa Brasileira
Av. Brig. Faria Lima, 2705 - São Paulo - SP

Casa Modernista
De autoria do arquiteto de origem russa Gregori Warchavchik (1896–1972), projetada em 1927 e construída em 1928, é considerada a primeira obra de arquitetura moderna implantada no Brasil.
Rua Santa Cruz, 325 - Vila Mariana - São Paulo - SP
Aberta de terça a domingo, das 09h às 17h
Tem visita monitorada também
Telefone: 11-5083-3232
http://www.museudacidade.sp.gov.br/casamodernista.php

Casa Modernista - Pacaembú
Em 1930, época em que as ruas do bairro Pacaembu eram feitas de terra e quase desabitadas, a inauguração de uma casa de linhas retas, fachada branca e concreto armado na rua Itápolis atraiu a atenção do público. Projetada pelo arquiteto ucraniano Gregori Warchavchik também.
Ano passado ela reabriu restaurada com mobília original, fotografias e projetos do arquiteto, vale verificar se ainda é possível visitar.
Rua Itápolis, 961 - Pacaembú - São Paulo - SP
Telefone: 11-3661-5066

Casa Modernista - Rua Bahia
Também projetada em 1930 por Gregory Warchavchik, hoje abriga um escritório de design. Visitas podem ser agendadas.
Rua Bahia, 1126 - Pacaembú - São Paulo - SP
Telefone: 11-3663-4975

Edifício Martinelli
Foi o primeiro arranha-céu da cidade de São Paulo, inaugurado em 1929 e com esse título se manteve até 1947 quando foi inaugurado o edifício Altino Arantes, o Banespa. Ao visitar, é possível ver o hall de entrada original e subir até o terraço no 25º andar e admirar a vista do centro da cidade.
Av. São João, 35 - Centro - São Paulo - SP
Visitas de 2ª, 3ª e 6ª das 09h30 às 11h30 e das 14h30 às 16h30, Sábados até 13h
Telefone: 11-3104-2477

http://www.prediomartinelli.com.br

Edifício Altino Arantes - Banespa
A 161,22 m de altura, a torre do Edifício Altino Arantes, inaugurado em 1947, está aberta para a visitação. É possível ver a serra do Mar, o pico do Jaraguá e pontos turísticos da cidade.
Rua João Brícola, 24 - Centro - São Paulo - SP
Visitas: 2ª a 6ª das 10h às 15h (vale ligar, vira e mexe eles abrem aos sábados)
Telefone: 11-3249-7466

Caminhada Noturna pelo Centro
Saindo da frente do Teatro Municipal todas as quintas, mos­tra marcos tradicionais e pontos menos conhecidos da metrópole.
Pça. Ramos de Azevedo, s/ nº (em frente ao Teatro Municipal) - República - São Paulo - SP
Telefone: 11-3256-7909.

Depois coloco mais alguns lugares gratuitos e legais! Enjoy! :)

5 de jan de 2012

Edifício Rizkallah Jorge

A Cury , em parceria com o escritório Helena Saia, recuperou o Edifício Rizkallah Jorge, antigo ícone de São Paulo, edifício comercial deteriorado na Av. Prestes Maia junto ao Anhangabaú. Com recursos do PAR da CEF, converteu os seus 17 andares com 7472 m2 de construção em 167 apartamentos, tipo estúdio, de área privativa média de 30 m2, com sala/dormitório, cozinha americana com área de serviço integrada e banheiro. Concebido nos anos 40, para ser o Hotel Pingüim da Cia. Antarctica Paulista, foi sede do grupo Votorantim por 20 anos, vendido nos anos 70 para a Beneficência Portuguesa. A deterioração do centro esvaziou o prédio em estilo clássico: pixações, janelas quebradas, ameaça de invasão iminente (estava na lista de um grupo organizado).

O edifício foi comprado pela Cury Empreendimentos em agosto de 2001. A fachada teve todos os elementos originais em bom estado preservados, recuperando-se a cor original, as janelas e portas de ferro e as ferragens antigas em bom estado.

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Para evitar pixações, um tratamento com produto especial impermeável. Os elementos originais do saguão, o piso, as colunas e as paredes em mármore de Carrara foram restaurados. As escadas ganharam iluminação de emergência e portas corta-fogo. As demolições internas fizeram do edicício uma "torre de Babel", com uma divis"o diferente em cada andar.

Retiradas as divisórias, resolveu-se a sobrecarga das novas divisões em alvenaria sobre as lajes com o uso de blocos de concreto celular. A colocação das prumadas de gás, elétrica e hidráulica exigiu equipamentos especiais para a perfuração das grossas lajes. No acabamento interno recuperou-se pisos de taco, soleiras e peitoris em mármore. O desafio era criar ao mesmo tempo apartamentos a baixíssimo custo, R$ 24.700,00, a serem arrendados a R$ 174,00 mensais para famílias com renda de 4 salários mínimos, e reestabelecer o antigo esplendor do prédio com sua fachada tombada pelo patrimônio histórico. A parceria entre a Prefeitura Municipal, o Movimento Moradia no Centro, a Cury e a CEF iniciou-se pela experiência piloto da restauração do Edifício Fernão Sales, na região da 25 de Março.

Fonte: www.cury.net/ParDetalhe.aspx?CodPar=18

4 de jan de 2012

Feliz 2012!!!

Olá a todos!

Gostaria de desejar a todos os seguidores do blog, o pessoal que sempre acessa e tira dúvidas um Feliz Ano Novo, muita prosperidade, alegria e agradecer pelos elogios, pela visita e também pela cobrança em atualizar sempre o blog.

A última atualização do blog aconteceu em Julho de 2011 e desde então o tempo ficou super curto para atualizar, mas devido ao grande volume de trabalho, ainda bem! :)

Em 2011 também aconteceu uma coisa inédita na minha vida: descobri que vou ser mãe e que essa menininha, chamada Mariana, que está a caminho e chega por aqui em Março me fez repensar uma série de questões e prioridades na minha vida. Uma delas é o trabalho, que sempre fui muito dedicada mas que deixei passar uma série de oportunidades por medo de encará-las ou por falta de tempo mesmo.

2012 será muito importante para mim, e para esse blog também, que estará cheio de novidades, dicas, informações e opiniões, tanto minhas, quanto de vocês que sempre acessam.

Obrigada a todos vocês!!! :)

Fonte da foto: http://www.baixaki.com.br/imagens/wpapers/BXK16358_fogo-fim-ano-madeira800.jpg